sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Born to be Wild

Nasceu! As 10h15 recebemos um e-mail confirmando que o primeiro fire-up do motor aconteceria em 15min. Todos da fábrica desceram e logo mais de 100 pessoas estavam em volta do carro. O chassi está em estágio bem avançado de montagem e, além de toda a eletrônica já estar instalada, tem o motor, KERS, transmissão, exaustão e cooling no lugar. Antes de ser ligado o motor passa por um lento processo de aquecimento (os fluidos de arrefecimento são aquecidos) para colocar o motor em uma faixa de temperatura adequada para seu funcionamento. Os engenheiros da Renault Sports deram então o primeiro sinal e o motor de arranque foi conectado na traseira do carro. Neste momento um silêncio de igreja tomou conta. O motor de arranque foi então acionado duas vezes por alguns segundos e os engenheiros da Renault confirmaram que tudo estava ok para a ignição. O motor de arranque foi então acionado pela terceira vez e o CT01 ganhou vida!

O projeto desse carro de 2012 tem sido parte importante da minha vida há 6 meses, longas horas de trabalho foram colocadas, idéias mirabolantes surgiram enquanto corria, tomava banho e algumas até enquanto sonhava a noite, algumas delas funcionaram, outras foram testadas e não funcionaram. Cada pequeno detalhe que vocês vêm nas fotos é resultado de diversas peças desenhadas, testadas em CFD e túnel até que informações concretas sobre a performance de cada uma fossem obtidas e uma configuração escolhida para ir ao carro. Um exemplo é a asa traseira, durante estes 6 meses eu desenhei mais de 100 configurações e todas foram testadas em CFD, algumas testadas no túnel e uma foi escolhida para ir para o carro.

Quando um carro de F1 nasce, ele não é apenas um carro, ele é a melhor configuração dentre um enorme número de possibilidades testadas por um grande número de pessoas trabalhando de maneira muito intensa, muito mais intensa do que em qualquer outro trabalho que já fiz na minha vida. Todos na equipe viveram os últimos meses em função deste carro e o silêncio de igreja antes da ignição foi um sinal da ansiedade, emoção e respeito pelo que estava por vir.

Neste estágio de vida eu já ouvi um motor de F1 roncar muitas vezes e toda vez, toda vez mesmo!, o som estremesse o meu corpo até os ossos. Desta vez não foi diferente, fiquei arrepiado e com lágrimas nos olhos.

Abaixo o link para a gravação que fiz pelo celular. Como descrevi acima, o motor de arranque é acionado por duas vezes e na terceira o carro vive. Ao ouvir o som, imaginem 100 pessoas quietas assistindo.

O arquivo pode ser acessado AQUI.

E o segundo fire-up, mais longo, está no site da equipe (LINK).


3 comentários:

  1. Gerson, notícia sobre o CT01 no jornal Estado de São Paulo de hoje, publicada também na versão impressa. Segue link:

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,meta-da-catherman-bloco-intermediario-,827765,0.htm

    Abraço
    Moser

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  2. Que doido! Já vi alguns vídeos de fire up de motor, deve ser bem emocionante mesmo. Mas nenhum grito ou aplauso quando o motor apagou?? Deve ser coisa de inglês, se fosse aqui no Brasil seria uma gritaria só!

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  3. Boa CT!! Tirou aquela confirmação de comentários!!

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