sexta-feira, 23 de março de 2012

Iron War (1)

Há algumas semanas comecei a ler um livro chamado Iron War, que descreve os desenvolvimentos, os personagens e a história do Ironman de 1989, também chamado de Iron War.

O Ironman é uma prova de triathlon e uma das principais provas de resistência que exitem na atualidade, consiste em 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42.2km (maratona) de corrida, com os atletas profissionais terminando a prova entre 8 e 9h e atletas amadores em até 16h.

Bom, o Ironman foi organizado pela primeira vez em 1978 no Hawaii e teve uma explosão e profissionalização rápida. Atualmente a prova existe em diversos países (no Brasil acontece em Florianópolis e já conta com mais de 2000 participantes a cada ano) e a prova do Hawaii é considerado o campeonato mundial, você precisa ter índice ou se classificar em outras provas para conseguir participar.

Bom, voltando à década de 80, dois personagens dominaram o Ironman: os americanos Dave Scott e Mark Allen. Até 89, Dave tinha vencido todas as edições em que participou e Mark perdido todas. Uma rivalidade gigantesca criou-se entre os dois, porque apesar de perder os Ironman, Mark era o melhor triatleta da época e vencia todas as outras provas de menor distância no mundo, incluindo o campeonato mundial de forma dominante.

Para a edição de 89 criou-se uma atmosfera impressionante, ambos atletas tiveram seu melhor ano de treinamento, ambos tiveram performances destruidoras em outras provas ao longo do ano e ambos chegaram ao Ironman no pico de performance em muitos anos, com todos esperando por um duelo histórico.

A prova se desenvolveu de uma maneira quase mítica, com ambos os atletas lado a lado por quase toda a prova a um ritmo muito mais rápido do que record mundial da época. Expectadores burlaram as regras da competição e decidiram iniciar uma carreata silenciosa atrás dos dois para ver de perto o que iria acontecer e ambos os atletas descrevem a atmosfera dizendo que apesar da multidão eles só ouviam o som dos seus pés.

À poucas milhas para o final, Mark atacou, abriu vantagem e venceu o seu primeiro Ironman com o tempo de 8h09´14”, 59s a frente de Dave e mais de 23 minutos a frente do terceiro colocado, batendo o record da prova em mais de 20 minutos.

Esta prova tornou-se uma referência para estudos sobre esportes, tanto sobre psicologia quanto fisiologia. O ritmo da prova dos dois foi muito mais rápido do que na época pensava-se que era fisiologicamente possível e isto iniciou estudos para entender qual foi o efeito da rivalidade entre os dois na performance naquele dia.

O livro comenta sobre estudos que mostram que em uma atividade física intensa o atleta não para por causa da falta de nutrientes no corpo ou acidez nos músculos (como acreditava-se na época), muito antes de chegar à exaustão muscular o cérebro vai se “cansar” de sentir desconforto e vai forçar a parada. Em uma situação como a de Dave e Mark, a motivação adicional para vencer o seu rival a qualquer custo gera um reforço positivo no cérebro que permite o corpo ir além do que normalmente seria esperado.

Quem já fez uma prova de corrida sabe que não importa o quão cansado você esteja, quando você vê a linha de chegada você consegue acelerar, aparentemente a situação é idêntica ao que aconteceu no Iron War.

Bom, coloquei o título com a referência (1) porque este será o primeiro de muitos posts sobre o assunto. Apesar de estar longe de ser um atleta de nível profissional, eu me identifiquei muito com o que li neste livro e visualizei e entendi melhor o que senti em diversas pequenas experiências esportivas que tive, como a Maratona de Londres ou a fatídica 3ª etapa do SP Open de Aquathlon em 2008 em Santos.

Por enquanto, fica aqui um vídeo que resume o Iron War:



3 comentários:

  1. Quando minha caminhada era feita antes das 6 hs da manha, acompanhei a preparacao de um atleta participante do ironman de Floripa. Foi incrivel ver sua transformacao durante os meses que seguiam. Parecia um gafanhoto, emagreceu, as pernas eram puro musculo e sua corrida era linda. Nos finais de semana, indo pra casa da vo, era facil encontra-lo de bike. Virou o heroi da academia quando voltou, depois do sucesso na competicao. Falo sempre com ele e sei que eh realmente algo surreal. Em todos os sentidos......

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  2. Deve ser uma experiência de vida de outro mundo!

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  3. É disso que eu tô falando! Puxar um sprint depois de 16 km subindo uma serra, dar aquele gás final ao ver a linha de chegada... O melhor disso é passar pela angústia de estar sofrendo, e saber que se você controlar a sua mente, você consegue seguir em frente. Cara, que saudade daqueles "embates mentais", uma metade de você implorando para parar, para cessar a dor, a outra metade pedindo pra seguir em frente, aguentar mais um pouco.

    No final, quando tudo acaba e a dor passa, depois de atingido o objetivo, fica aquela sensação maravilhosa. É aquele coisa: quem já passou por isso não consegue explicar, os que nunca passaram, não conseguem entender.

    Eu ainda volto a sofrer disso! Vou comprar o livro!

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