Há algumas semanas comecei a ler um livro chamado Iron War, que descreve os desenvolvimentos, os personagens e a história do Ironman de 1989, também chamado de Iron War.
O Ironman é uma prova de triathlon e uma das principais provas de resistência que exitem na atualidade, consiste em 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42.2km (maratona) de corrida, com os atletas profissionais terminando a prova entre 8 e 9h e atletas amadores em até 16h.
Bom, o Ironman foi organizado pela primeira vez em 1978 no Hawaii e teve uma explosão e profissionalização rápida. Atualmente a prova existe em diversos países (no Brasil acontece em Florianópolis e já conta com mais de 2000 participantes a cada ano) e a prova do Hawaii é considerado o campeonato mundial, você precisa ter índice ou se classificar em outras provas para conseguir participar.
Bom, voltando à década de 80, dois personagens dominaram o Ironman: os americanos Dave Scott e Mark Allen. Até 89, Dave tinha vencido todas as edições em que participou e Mark perdido todas. Uma rivalidade gigantesca criou-se entre os dois, porque apesar de perder os Ironman, Mark era o melhor triatleta da época e vencia todas as outras provas de menor distância no mundo, incluindo o campeonato mundial de forma dominante.
Para a edição de 89 criou-se uma atmosfera impressionante, ambos atletas tiveram seu melhor ano de treinamento, ambos tiveram performances destruidoras em outras provas ao longo do ano e ambos chegaram ao Ironman no pico de performance em muitos anos, com todos esperando por um duelo histórico.
A prova se desenvolveu de uma maneira quase mítica, com ambos os atletas lado a lado por quase toda a prova a um ritmo muito mais rápido do que record mundial da época. Expectadores burlaram as regras da competição e decidiram iniciar uma carreata silenciosa atrás dos dois para ver de perto o que iria acontecer e ambos os atletas descrevem a atmosfera dizendo que apesar da multidão eles só ouviam o som dos seus pés.
À poucas milhas para o final, Mark atacou, abriu vantagem e venceu o seu primeiro Ironman com o tempo de 8h09´14”, 59s a frente de Dave e mais de 23 minutos a frente do terceiro colocado, batendo o record da prova em mais de 20 minutos.
Esta prova tornou-se uma referência para estudos sobre esportes, tanto sobre psicologia quanto fisiologia. O ritmo da prova dos dois foi muito mais rápido do que na época pensava-se que era fisiologicamente possível e isto iniciou estudos para entender qual foi o efeito da rivalidade entre os dois na performance naquele dia.
O livro comenta sobre estudos que mostram que em uma atividade física intensa o atleta não para por causa da falta de nutrientes no corpo ou acidez nos músculos (como acreditava-se na época), muito antes de chegar à exaustão muscular o cérebro vai se “cansar” de sentir desconforto e vai forçar a parada. Em uma situação como a de Dave e Mark, a motivação adicional para vencer o seu rival a qualquer custo gera um reforço positivo no cérebro que permite o corpo ir além do que normalmente seria esperado.
Quem já fez uma prova de corrida sabe que não importa o quão cansado você esteja, quando você vê a linha de chegada você consegue acelerar, aparentemente a situação é idêntica ao que aconteceu no Iron War.
Bom, coloquei o título com a referência (1) porque este será o primeiro de muitos posts sobre o assunto. Apesar de estar longe de ser um atleta de nível profissional, eu me identifiquei muito com o que li neste livro e visualizei e entendi melhor o que senti em diversas pequenas experiências esportivas que tive, como a Maratona de Londres ou a fatídica 3ª etapa do SP Open de Aquathlon em 2008 em Santos.
Por enquanto, fica aqui um vídeo que resume o Iron War:
O Ironman é uma prova de triathlon e uma das principais provas de resistência que exitem na atualidade, consiste em 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42.2km (maratona) de corrida, com os atletas profissionais terminando a prova entre 8 e 9h e atletas amadores em até 16h.
Bom, o Ironman foi organizado pela primeira vez em 1978 no Hawaii e teve uma explosão e profissionalização rápida. Atualmente a prova existe em diversos países (no Brasil acontece em Florianópolis e já conta com mais de 2000 participantes a cada ano) e a prova do Hawaii é considerado o campeonato mundial, você precisa ter índice ou se classificar em outras provas para conseguir participar.
Bom, voltando à década de 80, dois personagens dominaram o Ironman: os americanos Dave Scott e Mark Allen. Até 89, Dave tinha vencido todas as edições em que participou e Mark perdido todas. Uma rivalidade gigantesca criou-se entre os dois, porque apesar de perder os Ironman, Mark era o melhor triatleta da época e vencia todas as outras provas de menor distância no mundo, incluindo o campeonato mundial de forma dominante.
Para a edição de 89 criou-se uma atmosfera impressionante, ambos atletas tiveram seu melhor ano de treinamento, ambos tiveram performances destruidoras em outras provas ao longo do ano e ambos chegaram ao Ironman no pico de performance em muitos anos, com todos esperando por um duelo histórico.
A prova se desenvolveu de uma maneira quase mítica, com ambos os atletas lado a lado por quase toda a prova a um ritmo muito mais rápido do que record mundial da época. Expectadores burlaram as regras da competição e decidiram iniciar uma carreata silenciosa atrás dos dois para ver de perto o que iria acontecer e ambos os atletas descrevem a atmosfera dizendo que apesar da multidão eles só ouviam o som dos seus pés.
À poucas milhas para o final, Mark atacou, abriu vantagem e venceu o seu primeiro Ironman com o tempo de 8h09´14”, 59s a frente de Dave e mais de 23 minutos a frente do terceiro colocado, batendo o record da prova em mais de 20 minutos.
Esta prova tornou-se uma referência para estudos sobre esportes, tanto sobre psicologia quanto fisiologia. O ritmo da prova dos dois foi muito mais rápido do que na época pensava-se que era fisiologicamente possível e isto iniciou estudos para entender qual foi o efeito da rivalidade entre os dois na performance naquele dia.
O livro comenta sobre estudos que mostram que em uma atividade física intensa o atleta não para por causa da falta de nutrientes no corpo ou acidez nos músculos (como acreditava-se na época), muito antes de chegar à exaustão muscular o cérebro vai se “cansar” de sentir desconforto e vai forçar a parada. Em uma situação como a de Dave e Mark, a motivação adicional para vencer o seu rival a qualquer custo gera um reforço positivo no cérebro que permite o corpo ir além do que normalmente seria esperado.
Quem já fez uma prova de corrida sabe que não importa o quão cansado você esteja, quando você vê a linha de chegada você consegue acelerar, aparentemente a situação é idêntica ao que aconteceu no Iron War.
Bom, coloquei o título com a referência (1) porque este será o primeiro de muitos posts sobre o assunto. Apesar de estar longe de ser um atleta de nível profissional, eu me identifiquei muito com o que li neste livro e visualizei e entendi melhor o que senti em diversas pequenas experiências esportivas que tive, como a Maratona de Londres ou a fatídica 3ª etapa do SP Open de Aquathlon em 2008 em Santos.
Por enquanto, fica aqui um vídeo que resume o Iron War:
Quando minha caminhada era feita antes das 6 hs da manha, acompanhei a preparacao de um atleta participante do ironman de Floripa. Foi incrivel ver sua transformacao durante os meses que seguiam. Parecia um gafanhoto, emagreceu, as pernas eram puro musculo e sua corrida era linda. Nos finais de semana, indo pra casa da vo, era facil encontra-lo de bike. Virou o heroi da academia quando voltou, depois do sucesso na competicao. Falo sempre com ele e sei que eh realmente algo surreal. Em todos os sentidos......
ResponderExcluirDeve ser uma experiência de vida de outro mundo!
ResponderExcluirÉ disso que eu tô falando! Puxar um sprint depois de 16 km subindo uma serra, dar aquele gás final ao ver a linha de chegada... O melhor disso é passar pela angústia de estar sofrendo, e saber que se você controlar a sua mente, você consegue seguir em frente. Cara, que saudade daqueles "embates mentais", uma metade de você implorando para parar, para cessar a dor, a outra metade pedindo pra seguir em frente, aguentar mais um pouco.
ResponderExcluirNo final, quando tudo acaba e a dor passa, depois de atingido o objetivo, fica aquela sensação maravilhosa. É aquele coisa: quem já passou por isso não consegue explicar, os que nunca passaram, não conseguem entender.
Eu ainda volto a sofrer disso! Vou comprar o livro!